A integridade do plantador de igrejas
Por Rev. Abner Ferreira de Assis
Despertamento para Plantação de Igrejas
Estudiosos como Peter Wagner, Aubrey Malphurs, George Barne e tantos outros, têm apresentado estatísticas da situação do declínio da igreja, resultado do liberalismo e mornidão que tem atacado as igrejas tradicionais, procurando com isso, despertá-las para retomar o crescimento, plantando igrejas.
Em Mt. 16:18 o Senhor Jesus faz importante declaração: “edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Nessa declaração, podemos observar pelo menos três importantes pontos: Primeiro – Jesus Cristo é de fato o plantador de igrejas. Ele disse: “Eu edificarei a minha igreja”; Segundo – Satanás envidará todo esforço para se contrapor à obra do Senhor Jesus de plantar igrejas dizendo: “… as portas do inferno…”; Terceiro – A igreja será vitoriosa em seu propósito: “… não prevalecerão contra ela”.
Tem havido certo despertamento por parte de algumas denominações para contra-atacar a mornidão e o declínio da igreja. Aubrey Malphurs cita George Barne quando este afirma: “Muitas denominações têm chamado essa presente década 1990–2000, como sendo a década da plantação de igrejas”1. Em outras palavras, algumas denominações têm colocado plantação de igrejas no topo de suas prioridades.
Aubrey Marphurs afirma que a Assembléia de Deus nos Estados Unidos estabeleceu o seguinte alvo para a década de 1990–2000: plantar 5.000 igrejas, recrutar 20.000 pastores, levar 5 milhões de pessoas a orar por esses alvos. A Igreja Batista do Sul dos Estados Unidos tem estabelecido alvos semelhantes aos da Assembléia de Deus. A Igreja Batista no Brasil tem estabelecido alvo semelhante.
Cerca de 10 anos a Igreja Presbiteriana do Brasil estabeleceu o Plano Missionário Cooperativo (PMC), um departamento da igreja para atuar com dedicação exclusiva para plantar igrejas no Brasil. Este projeto aliado a Junta de Missões Nacionais (JMN) tem plantado inúmeras igrejas. Foi com esse propósito que nasceu a Academia Memorial de Ensino Superior de Pernambuco, a AMESPE. Ela é um seminário teológico que se propõe a preparar obreiros com o preparo, a visão e o poder para cumprir a grande comissão de Jesus quando disse: “Ide, portanto, fazei discípulos…” (Mt. 28:19). Jesus ainda nos pediu para que rogássemos ao Pai por mais obreiros dizendo: “ Na verdade, a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara”.( Mt. 9: 37-38).
Em Recife temos observado entre os evangélicos o aparecimento de vários focos com o propósito de plantar igrejas. A Igreja Presbiteriana Memorial estabeleceu que, entre as suas prioridades, plantar igrejas seria a número um. De 1992 até hoje, ela já plantou sete igrejas, e está plantando outras três, além de quatro outros ministérios. Como já dissemos, a AMESPE, se propõe em preparar obreiros para deflagrar um movimento de plantação de igrejas. As Igrejas Presbiterianas de Casa Caiada, a Igreja Presbiteriana das Graças e a 1° Igreja Presbiteriana do Recife, têm estabelecido acordos para treinarem obreiros e plantar igrejas nos interiores dos estados da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Alagoas. A Igreja Presbiteriana de Areias tem se organizado para plantar igrejas no interior de Pernambuco. O irmão Josenildo Virgulino de Lima fundou a Missão AMAI, igualmente com esse propósito. Por conseguinte, temos observado o mover do Espírito Santo, despertando aqui e acolá, pastores e igrejas para retomar o crescimento da igreja através da evangelização e plantação de novas igrejas. No Rio Grande do Norte, o Rev. Marcos Severo já plantou mais de 20 novas Igrejas nesses últimos anos. O Pastor Arivaldo da Igreja Batista da COHAB – Cabo de Santo Agostinho tem plantado várias igrejas no sertão de Pernambuco.
Por que plantar novas igrejas ao invés de revitalizar as já existentes?
Do mesmo jeito que é mais fácil gerar um filho que ressuscitar um defunto; é igualmente mais fácil plantar uma nova igreja, que ressuscitar uma igreja que está morrendo ou já morreu. Não estou dizendo que não devemos envidar esforços para revitalizar as igrejas que alcançaram um platô, que estão doentes ou que já estão agonizando e morrendo. Qual é a igreja antiga com princípios e métodos antigos, com pessoas que há anos vem fazendo as mesmas coisas que gostaria de tomar a decisão radical para mudar no sentido de se revitalizar, para retomar o crescimento?
Aubrey Malphurs apresenta algumas razões para plantar novas igrejas, ao invés de revitalizar aquelas que estão morrendo:
Igrejas novas crescem mais rapidamente que as já estabelecidas;
Igrejas novas evangelizam melhor que as já estabelecidas;
Os líderes de igrejas novas ganham credibilidade mais rápido que os das já estabelecidas;
As pessoas são mais abertas para mudanças em igrejas novas, que nas igrejas já estabelecidas3.
Em Mt. 9:16-17 Jesus destaca o princípio que “… não se pode colocar remendo novo em pano velho e vinho novo em odres velhos…” Com isso, Jesus está dizendo que é quase impossível quebrar tradições muito bem estabelecidas. Jesus não está querendo dizer que se essas igrejas são boas ou más. Apenas, que não é fácil romper tradições e costumes com o objetivo de fazer mudanças para atender os problemas e necessidades do contexto atual. Ora, se concordamos com o Senhor Jesus nesse pensamento, devemos então colocar remendo novo em pano novo e vinho novo em odre novo e igreja nova, com uma visão nova e contextualizada.
Não queremos dizer com isso, que uma igreja já estabelecida e em decadência não possa ser revitalizada. Poderá sim, mas isso só acontecerá por meio de um processo longo, que exigirá muita paciência, oração e determinação. Quem constrói sabe que é melhor iniciar uma construção, do que tentar consertar uma outra que se encontra toda comprometida em sua base. Será que a quantidade enorme de pastores que foram ordenados ao sagrado ministério e se encontram sem campo de trabalho, não estão nessa situação por falta de visão ministerial, de fé no poder de Deus, de disposição para trabalhar e consagração para o sacrifício? Esses pastores que não querem plantar igrejas estão nessa situação, porque podem de fato, não ter o chamado. O apóstolo Paulo adverte que existe essa possibilidade dentro do ministério quando disse: “verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa mente, uns por amor, sabendo que foi posto para defesa do Evangelho. Mas outros na verdade, não puramente, julgando acrescentar aflição as minhas prisões” (Fl. 1:15-17).
As tradições e a super estrutura das denominações tradicionais, os excessos de legalismo, travam o crescimento da igreja. No sistema presbiteriano, um diretor de seminário pouco pode fazer para inovar, dinamizar, contextualizar o ensino com as necessidades da igreja de hoje. Ele está sujeito às decisões de uma congregação, de uma Junta Regional de Educação Teológica (JURET), da Junta de Educação Teológica (JET) e do Supremo Concílio da igreja. Em cada uma dessas instâncias, tem que ser observado tempo para as reuniões, enfrentar as limitações de seus membros quanto à visão sobre o estudo teológico, política eclesiástica que no fim, travam as mudanças que buscam a modernização de uma educação teológica mais objetiva, mais contextualizada, para atingir o propósito da igreja nesse século.
A qualificação do Plantador de igrejas

O pastor plantador de igreja é diferente do pastor de igreja. Os dois ministérios são importantes e desafiadores. Uma pessoa pode ser um grande pastor de igreja e ter um desempenho fraco na hora de plantar uma igreja. O apóstolo Paulo era um plantador de igrejas. Ele viajara de cidade em cidade pregando e plantando igrejas e em seguida estabelecia presbíteros ou pastores para pastoreá-las. Paulo estabeleceu Timóteo como pastor da igreja de Éfesos, com o propósito de edificar a igreja doutrinariamente (I Tm.1:3). Na epístola de Paulo a Tito, ele afirma que o deixou em Creta para estabelecer pastores em cada cidade da ilha (Tito 1:5). O dom de evangelista é diferente do dom de pastor e plantador de igreja (Ef. 4:11).
O caráter do plantador de igrejas
Qualquer que seja o seu dom – o de pastor de igreja ou o de plantador de igrejas, uma coisa deve ser comum dos dois: a integridade. Para Tim Keller, o líder lidera a partir do seu caráter. Examinando I Tm. 3:1-13, fica claro que o líder deve possuir caráter irrepreensível. O verso 7 do mesmo capítulo resume o caráter do líder cristão dizendo: “convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo”.
Tim Keller e J. Allen Thompson cita Robert Murray M`Cheyne, quando este em uma reunião de líderes teria dito: “O que o seu povo mais precisa de você é a sua santidade pessoal”4. É verdade. O que somos é mais importante do que pregamos. De palavras as pessoas estão cheias e cansadas. Eles querem ver vida, exemplo. Jesus se distinguia dos fariseus e publicanos pela autoridade da sua vida. Infelizmente, os seminários por aí a fora, tem se preocupado em encher a cabeça dos seus estudantes com Teologia, conhecimentos e teorias; deixado de lado a pessoa do estudante, e cooperar para a formação do caráter daqueles que irão liderar amanhã. Por conseguinte, não devemos estranhar o grande número de escândalos dos líderes hoje em dia desencorajando os seus liderados e fechando a porta da igreja para os incrédulos.
Em seu “Manual de Plantador de Igrejas”, Tim Keller e J. Allen Thompson cita ainda que antes da sua morte, Robert M`Cheyne pregou um sermão baseado em Isaías 60:1 “Levante-se e refulja! Porque chegou a sua luz, e a glória do Senhor raia sobre você”. Após a sua morte, quase que logo em seguida, acharam uma carta de um convertido quando ele pregou esse sermão, que dizia: “Eu o ouvi pregando no último sábado, e seu sermão me levou a Cristo. Não foi nada que você disse, mas, o que você foi enquanto pregava. Pois vi em você uma beleza de santidade que jamais havia antes. Era a glória do nosso Deus sobre o Salvador e a glória do Salvador sobre você”5.
O caráter do pregador é mais importante que as suas habilidades e dons. A igreja de Corinto era rica pelos dons espirituais de seus membros (I Co. 1:7). Contudo, o caráter dos crentes era baixíssimo. Pregadores e líderes talentosos, mas sem caráter, são mais perigosos do que se possa imaginar. Devemos procurar ver o caráter das pessoas, mais que a sua parte externa, talentos e dons. O dom do amor, da gentileza, da meiguice e bondade é superior a qualquer outro (I Co. 7:1-7). À igreja de Corinto Paulo afirma: “ E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com manjar, porque ainda não podeis suportar…” (I Co. 3:1-2). Os dons espirituais são jóias importantes que recebemos de Deus para nossa edificação e edificação dos outros no serviço do Mestre.
Satanás é muito astuto e tem se infiltrado e continuará se infiltrando na igreja e entre aqueles que estão sendo chamados por Deus para a pregação do Evangelho. O seu objetivo é claro. Ele deseja criar escândalos para fechar a porta da igreja para muitos. Jesus profetizou sobre falsos profetas e apóstolos (Mt. 7:21-23; 24:4-5; I Tm. 4:1-3).
O chamado para o plantador de igrejas
Mateus 28:18-20 registra o chamado e convocação de Jesus para sermos seus discípulos. O chamado é o mesmo, para todos, mais as tarefas são diferentes. Uns são chamados para serem pastores, outros, plantadores de igrejas, outros ainda evangelistas, e mestres etc.
Quando uma pessoa é chamada para realizar uma tarefa ou ministério é igualmente capacitado por Deus para realizá-la. Em Lucas lemos: “… ficai em Jerusalém até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc. 24:49). Em Atos 1:8 lemos: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia, e Samaria e até aos confins da terra”. Jesus quando chama alguém para servi-lo, capacita-os para a realização da tarefa. Ele mesmo disse: “Eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos (Mt. 28:20).
Conforme Timothy Keller e J. Allen Thompson, o chamado de Timóteo tem cinco elementos importantes que podem ser aplicados ainda hoje:
O chamado de uma pessoa deve ser considerado dentro de um contexto de maturidade (I Tm. 3:6).
A pessoa chamada tem uma convicção crescente de Deus para a realização da tarefa.
A pessoa chamada é dotada de capacidades especiais para a realização da tarefa, quais sejam: intelectual: disciplina, habilidade de comunicação, e dom de discernimento.
A pessoa chamada demonstra autodisciplina, auto-sacrifício, auto-doação e autocontrole.
O chamado é único, levando tempo para se desenvolver plenamente.

Boa Tarde, é muito gratificante encontrar algo tão proveito de se lê, já que na maioria das vezes, temos encontrado apenas alguns grão espalhados aqui ou ali. Estou começando de fato e de direito o ministerio de Plantação de Igreja, sou Batista, más no seminario onde estudei pude lê o livro: Memorias de um Plantador de Igrejas de Abner Assis. Bom, gostaria de pedir que orem por mim, vou defender minha monografia sobre ” Plantação de Igrejas” e orem ainda por esse novo desafio missionario. Deus os abençoe ainda mais.
Imperatriz-MA
Olá Gisele,
Ficamos felizes ao receber seu comentário. Oramos para que o Senhor te dê graça no curso e na plantação desta igreja. Lembre-se! Quem sai andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo trazendo os seus feixes.
Abraço!